Domingo, 10 de Abril de 2016

As Pontes Romanas da Vila de Cerva

      Limpeza da zona envolvente da ponte de Cerva pela Junta de freguesia, põe a descoberto o que restou da antiga ponte Romana e o respetivo Moinho que com ela confinava.

     Esta zona vai ser recuperada, visto ter aparecido ainda um pequeno arquinho da antiga ponte. Não seria portanto despropositado colocar uma Fotografia neste local para eternizar a mesma.

   Segundo referencias encontradas em livros antigos, foram decretadas cinco medidas “quinque modios” no “Anno de Christo de 1185, Era de 1223”, fim do reinado de D. Afonso Henriques (O conquistador) e início do de D. Sancho I (O Povoador), no testamento do bispo D. Fernando Martins. Entre elas a reconstrução das pontes de origem romana de Cerva.

      O blogue Vila de Cerva foi investigar, e encontrou as as presumíveis duas últimas pessoas, um homem e uma mulher, que passaram na Ponte Romana Grande, no preciso momento e outra antes da sua queda.

     A testemunha ocular da queda foi o senhor Antero, ex-proprietário da casa junto à ponte, que contou o acontecimento na Barbearia no R/C da Casa do Povo de Cerva em 1983, nesta data morador em Escoureda, António Mendes registou o depoimento por escrito, que é o seguinte:

“ – Eu, vinha de trabalhar de um dos campos do lado de Cerva, e ia a pé para casa, já não podia trabalhar mais porque chovia muito, a água do rio Póio já era tanta, que tinha galgado as margens dos campos, atravessei rapidamente a ponte, para não me molhar o tanto, e ao dar a primeira passada fora dela, ouvi um grande estrondo, olhei para traz, para ver o que tinha acontecido, vi a ponte a desabar juntamente com aquela quantidade enorme de água! Fiquei abismado, nunca tinha apanhado tamanho susto, tive muita sorte!...” disse.

      Uma outra pessoa passou poucos minutos antes:

    A Sr.ª Luísa precisou de ir fazer umas compras, passou obrigatoriamente na ponte de Cerva minutos antes com o seu cavalo. Fez as compras, e na volta deparou-se com a trágica situação, parte da ponte já tinha caído! Não podia passar. A ponte nova ainda não estava pronta, andava ainda em construção, já tinha os pilares de um lado e do outro e as vigas longitudinais para suportar o tabuleiro, faltavam-lhe as transversais, não podia de forma nenhuma atravessar a nova ponte, e ainda tinha a agravante de o cavalo ter que passar também. O que fazer? Pensou ela, nada, e assim se passaram vários minutos, num cenário de mau tempo.

Vila de Cerva - Antiga Ponte Romana Grande

Bem, a determinada altura, chegou um camião, carregado de vigas e ferro para a ponte. O encarregado da construção tendo-se apercebido da situação, logo de imediato deu ordem aos trabalhadores para fazerem uma passagem improvisada, e colocar as vigas, que entretanto chegaram, espaçadas transversalmente, e por cima delas umas tábuas de madeira de Soalho da cofragem da ponte, mas…, o problema persistia, se fosse só ela passaria, mas o cavalo, estava assustado, talvez por as tábuas estarem muito espessadas não queria atravessar, de maneira nenhuma. Ela salta então abaixo dele e de repente surgiu-lhe a ideia de lhe tapar os olhos e leva-lo á mão. Se assim o pensou, assim o fez, acabou por resultar, lá atravessou a Senhora Luísa e o seu cavalo tendo chegado toda molhada ao destino que pretendia.“ – A água era tanta, que cortou a direito levando tudo pela frente! Foi assustador” afirmou a Senhora”. Estas duas histórias foram verídicas e contadas por elas próprias. Uma delas já falecida e outra ainda viva.

      Depois de ter sido recuperado há muitos anos atrás, um exemplar de Azenha junto ao rio Lourêdo, seria interessante restaurar também este de Moinho, até porque está muito bem localizado para ser visitado. Sabe-se que os Moinhos de Rodízio Horizontal movidos a água foram introduzidos em Portugal pelos Romanos, e o mais antigo que se conhece data de 85 a.C. Os Moinhos tiveram uma grande representatividade na região e especialmente aqui em Cerva, devido a ser desde sempre uma zona de grande produção de Milho que continua enverdecer e “decorar” os campos deste vale do Póio no verão. Após a colheita das espigas, feita a desfolhada, a secagem nos grandes Espigueiros e a Malhada nas suas grandes Eiras, o grão seguia para ser moído nesses Moinhos e partir daqui é que saía a farinha para fazer a tradicional Broa de Milho nos fornos de barro caseiros, mas também deles saiam e reconhecidos milhos, para serem confecionados pelas famílias, hoje considerados gastronomia de excelência local.

       Quanto à atual Ponte Romana com dois arcos de volta perfeita e um talhamar central, atualmente existente sobre o rio Póio, em Cerva, teve uma provável reparação no ano de 1603, conforme data encontrada num dos parapeitos. A esta, após a queda das pontes da Cabriz e da Ponte Romana Grande com a cheia de 1936, segundo informação recolhidas através de pessoas mais antigas e ainda vivas, foi feito o ainda existente desvio de parte do leito do rio Póio, para a proteger das fúrias das águas no Inverno. Encostada a esta existiu também um Moinho de Rodízio Horizontal.

      A Ponte Romana sobre o rio de Lourêdo, em Cerva, com um grande arco de volta perfeita, quando da construção da autoestrada, serviu de acesso para levantar a ponte da A7, com a passagem de máquinas de grandes dimensões foram-lhe derrubadas algumas pedras do corrimão. Recentemente a junta de Freguesia já as recuperou, e em breve ser-lhe-ão recolocadas. Aqui junto a ela já foi feita uma limpeza local do mato, e vai ser criado um parque para receber quem a visitar.

publicado por Abraão Mendes às 21:12
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